Devaneios sobre passado e o abraço silencioso


É duro pensar no passado. Olhar para si mesmo e ver seus erros refletidos na história. Pensar que tudo poderia ter sido diferente e que não há meio de mudar. Eu sei, eu sei. Eu não seria quem hoje sou, não fosse tudo pelo qual passei. Mesmo assim, às vezes, a mente insiste em questionar: Quem eu seria, então? Onde estaria? O que poderia ter alcançado?

A dúvida ecoa pela eternidade. Não há como responder. É duro pensar no passado. Evito ao máximo, pois frequentemente, acabo por ficar assim. Não é que não tenha para quem falar. É apenas que ninguém entenderia completamente. Só eu sei minha história, meus sonhos, minhas frustrações e, bem que eu tento me abrir a respeito, mas no fim, só eu sei a real importância de tudo isso. Ninguém pode ajudar com isso, por mais que tente.



O que mais se aproxima de confortar é o abraço silencioso. Como eu gosto do abraço silencioso! Sem expectativas, sem cobranças e sem perguntas. O abraço silencioso sabe que não compreende o que você sente, mas se faz presente, porque é a única coisa possível de ser feita naquele momento. Palavras audíveis não são suficientes, por mais que se esforcem para ser. Lhes falta o calor, o aconchego, a sensação. Ainda que feche os olhos e tente imaginar, não é o bastante. Me faz falta o abraço silencioso. 


Eu não conseguiria viver em uma sociedade que não normaliza o abraço. Pensar em passar meses sem tê-lo me enlouquece, especialmente, quando tudo o que eu gostaria era de estar dentro de um. Sem precisar falar, sem precisar organizar a mente em forma de frases e colocá-las pra fora. Algumas vezes tudo está tão grande bagunça, que fazer isso se torna extremamente cansativo e você só deseja respirar até passar a confusão. 

Respirar. Apenas existir até a crise passar, mais uma vez, pois ela sempre passa. Enquanto não me é possível estar em um abraço, sigo escrevendo sobre ele. E sobre as dores e sensações, as lágrimas e o silêncio. Prevejo muitos devaneios por aqui. 

Com carinho,
Isa. 

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