Liberdade

Leia ao som de: Voar - Marcela Tais

Eu preciso me abrir. Eu preciso falar. Eu preciso contar como meu coração está machucado. Como eu me sinto. Como, de repente, todos os sonhos e planos que acreditei estar lutando para conquistar, simplesmente, se esvaíram e eu vi que os estava construindo sobre a areia. Vi que as certezas que eu tinha não estavam firmadas em nada além que palavras, efêmeras, tais quais os sentimentos que supostamente elas exprimiam.

E dói. Dói para aceitar, para sarar e recomeçar. Dói como se asas estivessem nascendo das minhas costas, rasgando minha carne, movendo os ossos como se os fosse destruir para, no final, dar lugar à liberdade de voar por mim mesma. Voar pelas minhas escolhas, meus sonhos, minha vida. E este caminho à liberdade é doloroso, solitário e necessário.

Por isso lágrimas escorrem do meu rosto. Meu peito dói. Eu sinto a ausência das promessas, ainda que carentes de certezas. Eu sinto falta de iludir a mim mesma, mesmo que, no fundo, isso me fizesse mal. Eu me acostumei. Empenhei todas as forças em sonhos vazios e, por isso, hoje dói. Dói carregar sozinha o peso de cada tijolo na reconstrução do eu. Olhar no espelho e encontrar apenas minhas próprias palavras de apoio à quem eu quero me tornar.

Sonhar sonhos sozinha, sonhos para mim. É uma liberdade solitária para quem havia se acostumado a sonhar acompanhado. Contudo, é preciso falar. É preciso me abrir. Preciso saber que, no meio dessa solidão, existem corações que escutam à distância e, se sentem tão solitários quanto o meu. Esperando por pessoas que deem voz ao que eles também sentem e os acompanhe à distância nesse árduo caminho de voar. Sozinhos. Pela própria liberdade.


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