A menina da biblioteca


Essa imagem representa perfeitamente duas fases da minha vida: infância e adolescência.

Lembro que desde muito nova eu sempre fui a menina da biblioteca. Eu era aquela criança considerada estranha por preferir gastar meu intervalo lendo, a ir jogar bola com as outras crianças.
Comumente, outros da minha idade me colocavam apelidos. Os meninos me achavam feia e desengonçada, o que fazia sentido, uma vez que eu estava mais preocupada com a próxima aquisição da biblioteca, do que em me arrumar para ir à escola.


Ainda da infância, lembro de como eu era apaixonada pelas ciências. Diversas vezes ficava depois da aula fazendo perguntas e perguntas à professora, ávida por aprender mais deste incrível universo.
Mas com o tempo, à medida que a adolescência chegava, descobri que uma criança assim não era vista com bons olhos. Descobri que os garotos estavam mais interessados em meninas que sabiam se maquiar, do que naquelas que nutriam questionamentos existenciais.

As últimas, por sua vez, ficavam de lado, é claro. Fato é que algumas destas sequer se importavam com isso e eu gostaria de ser como elas, mas infelizmente não fazia parte desse time. Eu me importava e muito com o fato de os meninos não olharem para mim. Mas como isso poderia acontecer? Foi aí que, com o tempo, decidi deixar um pouco de ser quem era para parecer cada vez mais com as meninas que eles admiravam.


E sabe que até funcionou? Mas não posso dizer que foi um grande sucesso. Aprendi a me maquiar, muito bem inclusive, mas isso não chegou a se tornar um hábito, pois eu não gosto da sensação no rosto, nem de como isso me priva de me divertir. Tentei deixar os livros de lado, mas aprendi também que quando se deixa a educação e o conhecimento em segundo plano, naturalmente a sabedoria adquirida se esvai não havendo novas gotinhas de sabedoria para ocupar seu lugar. E quantas escolhas ruins eu fiz nessa época!

Digo "época", pois quem dera eu que isso tivesse durado apenas alguns meses de minha vida. Ah, como fui lenta neste aprendizado! Foram cerca de nove longos anos até, finalmente, compreender esta lição. Mas como sou grata a Deus, porque ainda que tenha demorado, eu finalmente estou aprendendo. Sim, estou. Pois descobrir a si mesma e, acima disso, aceitar quem você é, é um processo de toda uma vida. E esse processo exige muita paciência consigo mesma, acima de tudo.


Mas hoje eu olho para esta imagem e me sinto grata por saber que ela me representa. Por saber que hoje eu não tenho vergonha de ser a menina da biblioteca. Por saber que Deus, em sua infinita sabedoria, me fez exatamente para ser aquela que lê, que escreve e que ensina. E, por ver, em textos como estes no meu blog, que ser a menina da biblioteca é exatamente quem eu devo ser.


Espero que esse texto possa ajudar você que se sente da mesma maneira que eu me sentia ♥

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2 comentários

  1. Que texto lindo!
    Me identifiquei bastante rsrs. Na época da escola me sentia da mesma maneira e como você tive aprender a lidar com apelidos ofensivos e não ser vista por ninguém. Enfim, hoje sei que isso me fez uma pessoa melhor!
    Beijos!
    https://blogseredescobrir.blogspot.com

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    1. Oi Dani! Que bom que você gostou! <3 É bom demais ver que, apesar de tudo, conseguimos chegar até aqui e amadurecemos muito né? Coisa boa. Um beijão!

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