Tudo bem não estar bem?

   
Leia ao som de: All I want (Kodaline)

Tudo bem não estar bem? É que às vezes parece que todos esperam que eu seja a mais forte das mulheres. Parece que sempre esperam a minha palavra de decisão. Mas sabe, às vezes, decidir qualquer coisa é tão difícil. Algumas vezes, levantar da cama é uma decisão quase impossível de se fazer.
      Por esses dias estive em situações em que eu precisava tomar uma decisão, sair de uma situação. Então eu me via num beco sem saída, em que eu olhava para os dois lados e me via perdida; congelada no tempo. As poucas frases que saiam da minha boca diziam que eu não conseguia mais tomar uma direção, que precisava de ajuda. Então, numa situação, me lembro de repetidamente dizer que não conseguia mais, como um pedido de ajuda, de fato. Prontamente meu melhor amigo me disse algo enquanto nos abraçavamos, creio que tentando me manter calma. Foi muito difícil me despedir aquela noite, mas outro dia se passou; mais uma vitória.
      Tudo bem não conseguir brincar com todo mundo? É que, às vezes, as palavras doem mais quando entram pelos ouvidos, do que quando saem pela boca. Mas você tem razão, David: a percepção das pessoas é diferente. O que parece mais uma segunda-feira para alguns, pode ser a última para outros.
      Eu sei que, por vezes, pode ser difícil entender esse jeito e, também, sei que mais pessoas são/estão assim. É para essas que eu escrevo, para que saibam que não estão sozinhas, nunca estarão. Às vezes tudo o que queremos é apenas existir e nos sentir vivos. Não é preciso estar no centro interagindo, sendo o personagem principal da brincadeira, para isso. Quem vê a peça como um todo é quem está sentado na poltrona assistindo. Nós gostamos de assistir de longe, observar, tentar entender, ver como funciona isso de interagir. E não faz mal. Não há problema em ser ou estar assim, ainda que em meio à todos.

Isabelle Pegado.

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